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quarta-feira, 28 de maio de 2014

Manifestação CMDUA

A quem interessar, segue o manifesto encaminhado ao CMDUA em 20 de maio de 2014.
Não se trata da crítica pela crítica, se trata, isso sim, de uma preocupação crescente de uma urbanista convicta, cada vez mais preocupada com os descaminhos da nossa cidade.

Ao CMDUA

Como delegada da Região de Gestão de Planejamento 1, encaminho a presente manifestação para que possa ser lida pelo Conselheiro da Região no CMDUA, com o devido apoio dos meus colegas delegados, que estão a par da presente manifestação.
Peço aqui aos senhores um pouco do seu tempo, um pouco mais de 3 minutos. Refere-se à falta de esclarecimento que se furtaram a dar ao conselheiro da região 1.
Há tempos ando observando que a pressa vem roubando a qualidade de vida. A pressa na verdade vem roubando a vida das pessoas. Poucas semanas atrás, um cobrador de ônibus esfaqueou 2 passageiros aqui em Porto Alegre. O motivo, os passageiros reclamavam do atraso do ônibus. O cobrador, nada tinha o que fazer. O trânsito está caótico. Basta sair às ruas para ver. Não era culpa dele. Mas ainda sim, as pessoas estão doentes. Todos estão doentes. Incluindo nós aqui do CMDUA, que na pressa de aprovar não estamos nem vendo o que estamos aprovando.
No último dia 29, em abril de 2014, fui como delegada da Região de Gestão de Planejamento 1 ao Conselho do Plano Diretor, o CMDUA, acompanhar a votação do projeto de ampliação do Shopping Moinhos de Vento. De início estranhei quão poucos membros da comunidade estavam lá presentes. Depois viria a compreender, da forma mais decepcionante, o porquê.
A votação do projeto já tinha sido levada ao CMDUA, quando o relator, representante da Região 2 de Gestão de Planejamento tinha votado contra o projeto. Quando isto acontece, o projeto é redistribuído... até aprovar. Em Porto Alegre, não existe o “não dá”. O conselheiro da Região 1, que é a região onde se encontra o empreendimento, havia informado que a comunidade não era contra o projeto, mas sim contra as contrapartidas determinadas e a forma de condução do processo. E pedia para tanto um estudo de vizinhança. Este sim, nunca regulamentado, apesar da necessidade alarmante de sua implantação.
Na reunião do dia 29, novo relato, desta vez pela aprovação, afinal “a CAUGE já havia dado parecer favorável”. Mas se este fosse o parâmetro, então por que existir o CMDUA? O CMDUA existe justamente para questionar e fiscalizar, e isto eu realmente não vi. Preferia ter ouvido do relator que ele concordava com a CAUGE e não que ele não se julgava capaz de questioná-los.
Após o relato, o presidente do CMDUA (Secretário de Planejamento) sequer deu espaço para os poucos representantes do Movimento Moinhos Vive manifestarem sua opinião. Seria o mínimo para uma democracia. Mas no conselho, a democracia foi “patrolada” pela PRESSA dos conselheiros, para literalmente se “livrarem” dos processos. O Conselheiro da Região 1 ingenuamente fez uma pergunta sobre a Área Livre Permeável. Na reunião anterior sobre este mesmo assunto, informaram não poder responder pois era assunto da SMAM e seu representante não estava presente. Desta vez, o conselheiro da SMAM estava presente mas informou não ser com ele e sim com o representante da SMURB. A SMURB por sua vez não respondeu... Estava fazendo outra coisa... o representante saiu da sala como se não fosse com ele... e sequer deram uma justificativa, uma resposta, nem que sim, nem que não, nem que talvez. Simplesmente NÃO RESPONDERAM NADA.
Na pressa de votar, a grande maioria aprovou esta ampliação.  O conselheiro da própria região 1 parecia não acreditar no fato de que não era merecedor de uma mínima resposta. Eu mesma não acreditei que esta era a forma de condução dos projetos no CMDUA. O grupo do Moinhos Vive tentou se manifestar e recebeu uma solicitação para que "ficassem quietos". Sinceramente, ultrajante.
Chocada pela forma de tratamento, não percebi a velocidade de apresentação do empreendimento proposto junto ao Barra Shopping. Apresentado tão as pressas que sequer pudemos compreender ao certo o que se quer no local. Deste, só entendi os 80 metros de altura, e perguntei a mim mesma sobre seu impacto sobre a paisagem. Apenas eu, por que os demais pareciam estar lá se enganando ao ouvir que seria um empreendimento “ecologicamente correto”. E que por isso deveria ser aprovado. Há anos atrás ouvi este mesmo discurso do projeto Gigante para Sempre do Sport Clube Internacional. E hoje, o que temos lá? Piso impermeável, entulhos sem nenhum responsável... aliás, parece que ninguém mais é responsável pelo o que faz.
Sempre considerei o CMDUA como um espaço democrático. Hoje, estou realmente duvidando disto. Aprovam-se projetos de impactos significativos, de grande porte, com maior velocidade do que se aprova uma simples residência. Alguns empreendimentos têm várias medidas mitigatórias ou compensatórias, outros, quase nenhuma. O CAOS das ruas é o reflexo disto, desta disparidade. Não nos deixam conferir as informações, os estudos. Sob a alegação de incapacidade técnica, nos furtam o nosso direito mais básico de questionar. E quando somos técnicos e questionamos aspectos técnicos, o silêncio é a maior afronta, que passa desapercebida por muitos.
Cada um que votou a favor dos grandes empreendimentos sem um estudo decente, cada um que minimiza os impactos de um grande empreendimento, cada um que acha que tudo é possível , no fundo, co-autor de todos os crimes e acidentes que ocorrem nesta cidade. Gente morrendo nas calçadas, pessoas atropeladas, ciclistas mortos... estamos promovendo o caos. Cada um de nós. Onde está o estudo da Ampliação do Shopping do Iguatemi? 
Isso sem falar as decisões antagônicas? No centro, vamos aumentar as calçadas, e reduzir o tráfego de veículos. No Moinhos de Vento (lugar lindo pelas suas calçadas bem cuidadas), vamos reduzir calçadas, vamos destruir a sua ambiência. No Petrópolis, manutenção de casas antigas com alguma qualidade. No Jóquei, lugar de um dos mais importantes exemplares modernistas, ninguém avalia o impacto do novo empreendimento sobre o exemplar. Dá pra entender? Não, não dá. E quando eu digo nós, é por que quando calamos, concordamos. E aqui, no CMDUA, parece que todos concordam.
Está chegando, porém, o dia em que a falta de planejamento vai realmente custar caro. Pois até então estávamos falando de obras. E hoje, falamos de vidas. Novamente afirmo, estamos promovendo o caos. Estamos apoiando o gasto de recursos em obras inúteis enquanto o povo sofre sem ter condições mínimas de saúde e de educação. Estamos vivendo num mundo de faz-de-conta, mas o faz-de-conta está sumindo pelo aumento da violência. E entre idas e vindas, gasta-se 1 milhão de reais em um chafariz seco que ninguém vê, que ninguém usa. Esta é a nossa Porto Alegre.

Eliana Hertzog Castilhos
Delegada RP1

terça-feira, 29 de abril de 2014

30 segundos para atravessar uma rua é pedir demais?

O Jornal Zero Hora publicou na data de ontem o mapa abaixo para indicar as zonas da cidade onde o semáforo contará com 30 segundos para atravessar um rua. Um teste que está sendo feito pela Prefeitura. 





Fonte:
http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/noticia/2014/04/centro-de-porto-alegre-tera-dois-dias-de-testes-de-30-segundos-nas-sinaleiras-4486559.html

Li e reli, em especial a parte onde o diretor-presidente da EPTC e secretário municipal de Mobilidade, Vanderlei Cappellari disse:
"Somente vamos avaliar o impacto no transporte coletivo. Nos automóveis, não."

E me vieram à mente duas perguntas:
a) 30 segundos para atravessar uma rua é pedir demais?
b) se os impactos dos empreendimentos são avaliados em sua grande maioria pelo impacto sobre o trânsito total de veículos, por que não avaliar TODO o impacto causado por esta medida?

Se tem algo que defendo, é o espaço e o respeito ao pedestre.  Há cerca de 20 anos fui atropelada em Porto Alegre em cima de uma faixa de segurança. Aqui, o que reina é o desrespeito. Sei que o tempo do sinal é calculado pelo tempo. Que tem uma folga. Ao menos é o que dizem. Segundo reportagem do Jornal O Sul, Vanderlei Cappellari afirma que a prefeitura segue uma indicação da Organização Mundial de Saúde (OMS) de que a média de velocidade de caminhada é 1,2 m/s. “Quando o visor mostra 10 ou 12 segundos para fazer a travessia, o que é uma raridade, o pedestre tem ainda o tempo de segurança, ou seja, mesmo mostrando para o pedestre o sinal vermelho, a sinaleira para o automóvel ainda não abriu”, acrescenta. Só que se para mim, que tenho 34 anos, as vezes é difícil atravessar. E como fica a velhinha? E o portador de necessidades especiais? Sim, por que o tempo de segurança (além dos ditos segundos) numa cidade sem respeito é claramente desrrespeitado. É fechar a indicação de tempo do pedestre que tem carro arrancando.

Educação. À Porto Alegre, falta Educação No Trânsito. E não é de hoje. Defendo sim o aumento do tempo ao pedestre, mas defendo que este aumento seja feito de forma calculada. Se o cálculo hoje está falho, vamos corrigir o cálculo. Mesmo por que com as literais autopistas que estamos criando na nossa cidade, talvez 30 segundos, seja pouco!

Eliana Hertzog Castilhos
arquiteta e urbanista

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Porto Alegre de contradições.

De todas as situações estranhas que a cidade de Porto Alegre nos faz vivenciar são as suas contradições que mais me chamam  atenção.
Há apenas algumas semanas o bairro Moinhos de Vento vem discutindo as questões relacionadas a ampliação do Moinhos Shopping. Compareci a algumas reuniões e percebi o grande entrave que são as promessas vazias. Ouvi inúmeras queixas sobre os problemas de iluminação do bairro. Que deveriam estar resolvidos este ano e até agora nada, nem obras. Os moradores querem mais luz, nas calçadas, nos parques, nas praças.
Daí há quem diga que isso não é só ali, só neste bairro. Mas verdade seja dita, há quantos anos pagamos taxa extra na conta de luz para a iluminação pública? E o que mudou? O IPTU do bairro Moinhos de Vento também não é barato. Mas Voltando ao Shopping. Enquanto os moradores querem a valorização da paisagem, a qualificação dos ambientes públicos de calçadas e parques, as contrapartidas solicitadas ao empreendimento não são relacionadas à iluminação pública. São relacionadas às vias, a solucionar o trânsito de veículos. A proposta de medidas mitigadoras é redução de calçadas. Logo as calçadas, que são o charme do bairro.  Entre as propostas estão:
- um 'taper' na dr. Timóteo, para o acesso de veículos, ou seja, jogam a via para a posição da calçada e a calçada um pouco mais para dentro;
- um alargamento da 24 de outubro na calçada do mcDonalds, num total de mais uma pista (menos 3,5m de calçada - imagem abaixo ilustra em vermelho a faixa - imagem do google street view);




- vários ajustes em curvas que em geral reduzem um pouquinho as calçadas;
-  uma alça para os veículos dobrarem direto da Olavo Barreto Viana na 24 (reduzindo drasticamente a calçada da Panvel)... ais ou menos tirar esta faixa marcada em vermelho na imagem abaixo.


A base da imagem é do site da Panvel.

Mas comecei este post falando sobre contradições. E sim, tenho que me perguntar como a mesma prefeitura que propõe isto para o Moinhos de Vento (afinal estas propostas foram feitas pela EPTC), como esta mesma prefeitura quer agora propor retirar os carros do centro. Sim, o que foi divulgado é que a Prefeitura irá implantar o projeto feito pela Mobicidade junto com o escritório 0E1, que propõe o regaste do espaço para pedestres em algumas ruas do centro de Porto Alegre (Dr. Flores, Marechal Floriano e Vigário José Inácio.

Infos adicionais sobre o projeto no link abaixo:
http://www.mobicidade.org/?p=212

Bem, este post não é destinado à crítica para a crítica. Para quem não entendeu ainda, o pessoal do Moinhos não é contrário a tudo e todos, só quer assim como todo mundo mais espaços para as pessoas, mais segurança, mais ILUMINAÇÃO PÚBLICA. São inúmeros os relatos de assaltos no local. E assim como o Centro quer resgatar o espaço das pessoas, o Moinhos de Vento quer PRESERVAR O SPAÇO DAS PESSOAS.
Sabem o que mais eu não entendo, como um estudo de trânsito que fala que as pessoas que frequentam o Moinhos Shopping em sua grande maioria o fazem a pé, como deste estudo, a proposta de solução é tão distorcida. Ao Grupo Zaffari, que foi quem nos apresentou este projeto de ampliação, posso dizer as pessoas não são contra o Shopping, são contra o que querem fazer com o entorno do Bairro. E no fundo, estão cobertas de razão.

Eliana Hertzog Castilhos
Arquiteta e Urbanista




quinta-feira, 24 de abril de 2014

Nota de Repúdio à forma de aprovação da ampliação do TRT4.

Quem escreve aqui não é a profissional da empresa Cubbos e sim a Delegada da Região de Gestão de Planejamento de Porto Alegre. Há praticamente 10 anos dedico parte do meu tempo livre discutindo os assuntos da cidade de Porto Alegre, tentando de alguma forma ajudar no seu desenvolvimento. Tentando fazer as pessoas entenderem a importância do Planejamento Urbano (estou falando grego, né?!).
Então, me desculpem os que se ofenderem com o texto que segue, mas a verdade é que o Brasil e seus juízes continuam a me surpreender pela sua "autosuficiência".
A notícia divulgada no site do TRT4, cujo print da tela segue abaixo, nos dá uma boa ideia do que estou falando.



Seguem os trechos mais chocantes:

Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS) elaborou um anteprojeto (griffo nosso) de ampliação para o Foro Trabalhista de Porto Alegre. O estudo prevê a construção de um novo prédio, com 15 pavimentos, que deverá abrigar as 30 Varas do Trabalho da Capital. Também está prevista a reforma dos prédios 1 e 2, e a substituição do prédio 3 por um edifício com auditório e estacionamento. A ampliação do Foro visa a melhoria das condições de trabalho e da prestação jurisdicional.
(...)
A proposta de ampliação do Foro foi apresentada aos juízes do Trabalho de Porto Alegre nessa quarta-feira (9). Os magistrados terão um prazo de 15 dias para analisar o anteprojeto, durante o qual poderão sugerir alterações. A reunião contou com a participação da presidente do TRT-RS, desembargadora Cleusa Regina Halfen, do diretor e da vice-diretora do Foro, juízes Mauricio Schmidt Bastos e Valéria Heinicke do Nascimento, respectivamente, e do diretor-geral do TRT-RS, Luiz Fernando Taborda Celestino.

Após a manifestação dos juízes, o TRT-RS solicitará à Prefeitura Municipal de Porto Alegre o encaminhamento de um projeto de lei à Câmara de Vereadores sobre o tratamento específico para o solo onde está localizado o Foro, permitindo a nova construção. “O Plano Diretor não autoriza a construção do prédio-torre porque não há índice construtivo suficiente. Isso vai exigir a elaboração de uma legislação própria”, explicou Luiz Fernando. (griffo nosso)

Gente, então assim ó... agora ANTEPROJETO já está habilitado à aprovação, na opinião dos nossos ilustríssimos juízes e desembargadores. Estudo de Viabilidade Urbanística?? Acho que não ouviram falar não... Também percebo que impacto urbano que nada, o importante é fazer o que o nosso judiciário quer, independente do que dizem os urbanistas. E nesta roda de opiniões, de magistrados e de vereadores, os urbanistas ficam onde?? pois é... não ficam. Aliás, nem a SMURB fica...

E depois não venham me reclamar do caos urbano, do trânsito, da falta de planejamento. A situação já é crítica e vai ficar pior... começou com o Hospital de Clínicas; foi o primeiro; o TRT4 agora é o segundo. Quantos mais virão???

Eliana Hertzog Castilhos

sábado, 19 de abril de 2014

Parklet´s / mini-praças / vagas ecológicas

Parklet´s ou mini-praças começaram por São Francisco, agora chegam oficialmente a São Paulo, a expansão das soluções alternativas para a melhor urbanidade na nossa cidade.
O movimento PARKLET´S, no fundo iniciou-se pela intenção de retornar o uso da rua para o pedestre e fortalecer o conceito de prioridade ao pedestre e assim fortalecer a ideia de que o carro é a nossa última opção.
Os principais conceitos:
   - reimaginar o potencial das ruas da cidade;
   - encorajar o uso pelos pedestres;
   - ampliar a iteração entre os vizinhos;
   - encorajar o uso de transporte não motorizado;
   - criar um suporte ao comércio local.
Os controles estão inseridos dentro do planejamento estratégico do município e se integra da seguinte maneira:
   - inserção dentro das áreas determinadas e estudadas pelo planejamento municipal;
   - conexão ao plano de transporte e circulação municipal, se integrando com o plano cicloviário principalmente;
   - permissão e inspeção pelos órgãos públicos, se o Parklet segue as regras existentes;
   - análise, do design, custo, projeto e processo de implantação até da manutenção do Parklet.
O programa que se iniciou em São Francisco possui regramento claro, e até um manual de funcionamento com todas as informações necessárias para o bom funcionamento do projeto:
O manual, além de determinar o funcionamento explica até os procedimentos de aprovação de cada um dos parklet´s.
Os primeiros modelos, demonstram a preocupação com a acessibilidade de quem vem da calçada para a mini praça, os modelos vão desde 1 vaga na paralela até 3 vagas no perpendicular.
O sucesso em São Francisco foi tanto que hoje as solicitações estão suspensas devido a quantidade enorme de solicitações, abaixo algumas imagens de outro exemplo de aplicação na cidade:
 A manutenção do Parklet, é do próprio comerciante, o que aproxima o uso intensamente e o transforma como uma extensão tanto do comércio quanto de via pública equipada criando uma área de múltiplas funções na cidade.
A barreira física para com a via é uma preocupação constante, mas resolvida de diversas formas em seus vários designs já desenvolvidos.
O sucesso apresentado pelo conceito se desenvolve por outras cidades com Los Angeles, a cidade já conta com 15 Parklet´s:
Alguns Parklet´s acabaram virando apoio como bancos e canteiros, podendo inclusive se transformar em hortas comunitárias outro conceito bem explorado em algumas capitais.
Abaixo um exemplo de São Francisco, pioneira no conceito:
Modelo que pode se adaptar muito bem ao conceito de hortas comunitárias. Algo que poderia ser estudado para a cidade de porto Alegre e assim viabilizando e regularizando iniciativas de empresários como os da Rua República que implantaram uma horta comunitária dentro de um sofá, o interesse no assunto foi tão grande que foi divulgado em jornal televisivo da RBS e consta artigo no portal G1 de comunicação.

Um programa desenvolvido aos moldes de São Francisco ajudariam estas iniciativas potencializando os esforços e resultados.
O movimento é tão sério que já existe site específico apoiando e dia de comemoração ao movimento urbano:
O movimento se espalha pelo mundo segue informações encontradas no site:
Ao pesquisar o assunto se verifica algumas cidades que já consagraram o uso como Oakland:
O decreto nº55.045, que regulamenta a criação dos parklet´s na cidade de São Paulo, foi assinado nesta quarta-feira (16/4) pelo prefeito Fernando Haddad.

Ficamos agora aguardando o momento de Porto Alegre entrar para este que pode ser o futuro do nosso urbanismo.
Arquiteto e Urbanista Alan Cristian Tabile Furlan

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Ampliação do Shopping Moinhos de Vento... para vc, que acha que já viu de tudo.

Você pensa que já viu de tudo em Porto Alegre?... Não, você não viu nada... Se no estádio do Internacional estamos cedendo o espaço aéreo público de graça... a ampliação do shopping Moinhos de Vento quer mais... quer usar a rua mesmo!
Olhem a imagem abaixo, extraída do processo... a rampa de acesso está na calçada... No corte dá pra entender bem direitinho o quanto invade da calçada...
E vocês pensam que isto está claramente apresentado?!? É claro que não.








































Fica aqui o registro, de mais um dos Pedidos de Flexibilização de Regras... onde o Espaço Privado está mais uma vez "ganhando" de cada um de nós um pouquinho de área pública.
É uma descaracterização do espaço... uma agressão ao bairro Moinhos de Vento, o que repudiamos veementemente.
Que todos possam divulgar estas imagens e se manifestar contrários, por que é realmente um absurdo.

Eliana Hertzog Castilhos
Arquiteta e urbanista


quinta-feira, 13 de março de 2014

Patrimônio Histórico, estratégias para sua manutenção. Post 1

Na noite de terça-feira, assisti à apresentação do EPAHC (Equipe de Patrimônio Artístico Histórico e Cultural de Porto Alegre) da Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre. O Auditório estava lotado, como bem é característica dos assuntos polêmicos. Diretores de empresas, arquitetos de renome, todos lá discutindo um assunto que na minha opinião "requentado".
Há anos atrás, em 2002, um estudo realizado por profissionais da Universidade Ritter dos Reis foi usado pela Prefeitura de Porto Alegre e baseou-se do princípio da precaução para listar e literalmente trancar inúmeros imóveis em Porto Alegre. Novamente, discutimos as mesmas coisas, sem nada evoluir.
A equipe do EPAHC apresentou um histórico dos imóveis, apresentou imagens... e ficou nisto. Na platéia, um público ansioso por entender como se faz esta classificação. A resposta ouvida foi o "está na lei". Hein (?!)... digamos que você seja proprietário e estivesse lá para entender o que estava acontecendo, nada foi explicado de forma clara...
Segue o vídeo da apresentação:

)

Decorrente destas atitudes, recria-se a animosidade já existente sobre o assunto. Segundo informações do sr. arq. Custódio (do EPAHC) as notificações às pessoas foram realizadas através do DOPA (Diário Oficial de Porto Alegre). Mais animosidade... alguém lê o DOPA? Não digo eu, vc... mas imagino o carinha já idoso, proprietário de um imóvel listado (um dos 300), quando ele vai realmente saber, como ele vai conseguir se manifestar? Será que vai conseguir? O Arquiteto Joaquim Haas dizia assim: "sou proprietário e a imagem que apresentaram do meu imóvel não é atual...". Isso é verdade?
Ao longo dos anos vejo o Patrimônio de Porto Alegre ser tratado reiteradas vezes de forma autoritária. Nunca vi a cidade ser tratada de forma integrada, conjunta. Ok, queremos manter a nossa história, mas precisa ser tão engessado o processo em si.

Exemplifico com um caso que vivi. Há anos atrás... há cerca de uns 10 anos. A empesa Engenhosul comprou este imóvel na rua Ramiro Barcelos, ao lado do Colégio Bom Conselho. Há 10 anos.


















A proposta, devido à proximidade ao hospital Moinhos de Vento, era criar um prédio de consultórios médicos. A casa seria integralmente mantida. No local, seria instalada uma livraria médica. O projeto parou no EPAHC. Informaram que no local existia um jardim histórico e que nada poderia ser construído ali.
Resumo do imóvel, está completamente abandonado há anos, e no jardim... um mato.

Daí a gente se pergunta, por que não trazer de modo efetivo os proprietários para esta discussão? Por que não buscamos alternativas para que o proprietário não seja "condenado" a manter uma propriedade listada, inventariada ou tombada? Por que não incentivamos usos reais nestes imóveis, de modo que este imóvel possa realmente ser usado?


Vejo outros países super avançados neste sentido, vejo nossa cidade perdendo várias oportunidades, e por fim, perdendo seus imóveis. Exemplifico aqui com o projeto Pateo Malzoni, em São Paulo... tinha uma casinha, e a casinha ficou ali, mesmo com um Mega Empreendimento. Você pode não considerar a melhor solução, mas na minha modesta opinião, melhor isso do que a casa sem manutenção nenhuma.


Foi resguardado a visual da edificação, foi destacado com acesso, foi preservado.

A imagem ao lado foi retirada do site: http://www.premiomasterimobiliario.com.br/ ws2011/vencedores.asp

O prédio abriga a sede do Google em São Paulo.

Mais informações técnicas no link abaixo:
http://construcaomercado.pini.com.br/negocios-incorporacao-construcao/148/artigo300945-2.aspx

Extraímos outra imagem, da reportagem da PINI:



Há muito tempo questiono a falta de integração entre os setores. Por que o EPAHC não avalia os projetos e propõe soluções. Por que não incentivar sim a ocupação destes locais, com projetos de arquitetura de qualidade? Garanto que a iniciativa privada, as incorporadoras e construtoras não se opõem a isso. Se opõem ao não poder usar.

Há anos existia no endereço Mostardeiro 5 uma linda casa... um dia veio abaixo, e hoje há um prédio. Este é sempre o resultado que se está alcançando.

Também no bairro Moinhos de Vento, as casas da Luciana de Abreu, sobre as quais já conversamos em outro post também tem soluções pra dizer um mínimo estranhas: mantém 3 e as outras 3 são destruídas. Não seria pra levar a sério, se o assunto não fosse tão sério.


Segue link do post:
http://cubbos-consultoria.blogspot.com.br/2013/09/casinhas-da-luciana-de-abreu-uma-luta.html

Tentar algo novo, eis sim o desafio a todos nós e mais do que dividir, somar atitudes.

Eliana Hertzog Castilhos
arquiteta e urbanista

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Planejamento Urbano x Grêmio e Internacional.

Há muito venho acompanhamento as discussões sobre a cidade. Muitas vezes tomadas pelo calor da emoção ou mesmo por paixões futebolísticas, ouço de tudo. E ao longo do último ano, comecei a perceber que embora seja obrigação de todos nós conhecermos as leis, o desconhecimento é a base que conduz estas paixões aos maiores devaneios...
Nos últimos dias ouvi mais de dois repórteres diferentes falando da seguinte maneira: "não foi o Beira Rio que invadiu a via, foi a via que invadiu o Beira Rio".
Mas não tinha recuo? Para que serve o dito Recuo de Jardim ou Recuo Viário? Será que os repórteres da Radio Gaúcha, da Bandeirantes, será que eles tentaram saber algo a respeito?
Mudemos um pouco de assunto para lembrar de um dos grandes problemas brasileiros, a falta de Planejamento Urbano ou descaso com este assunto. Alguns comentaristas já percebem os erros gritantes e o descaso que ocorre nas cidades Brasileiras. Basta ver o vídeo abaixo, do dia de ontem, onde o Alexandre Garcia expôs o básico... na real nada que qualquer urbanista já não venha falando há tempos, mas ao menos ele estava na Rede Globo.



Mas voltemos ao Inter ou ao Grêmio... tanto faz. A verdade é que com base na emoção e amor dos torcedores, a eles tudo é permitido.

O Recuo Viário
Para quem desconhece, recuo de viário é um instrumento do planejamento urbano. Ele determina locais que jamais poderão ser ocupados pois lá um dia, haverá o alargamento de uma via. Há quem argumente que há ocupações em alguns locais mesmo com recuo viário, como a rua Botafogo. Em geral estas são mais antigas pois o objetivo deste instrumento é justamente reduzir eventuais custos de desapropriação. Nunca, numa situação como a do Sport Clube Internacional onde a previsão de alargamento já estava prevista poderia ter se aprovado o projeto onde a estrutura balança além do alinhamento. Lembrando aqui, os projetos em geral podem balanças em parte do recuo, não todo. Mas ao Sport Clube Internacional foi permitido. E onde ficou o Planejamento? Não ficou.
Seguem daí outras situações oriundas desta falta de organização, de planejamento, de responsabilidade. Hábito sistemático no Brasil. Ocorre o evento teste sem a inauguração do estacionamento. E os carros vão para onde? Para a via... E os pedestres andando em áreas não calçadas, fazendo uma verdadeira trilha.



Fora isso, seguem as novas discussões sobre as estruturas provisórias... Mas não estava no contrato que o Internacional deveria pagar? Estava. E não precisa seguir o que foi assinado, se responsabilizar por isso? Pois é...

Medidas Compensatórias
Daí falei do Internacional, e já viria alguém me xingando... de gremista sem-vergonha, que só fala do Internacional, etc, etc, etc... mas não. Não poderá pois aqui mesmo já estarei falando do Grêmio. 
Para quem quer saber indico abaixo o link de uma das inúmeras reportagens que falam dos desdobramentos deste caso.

http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/politica/noticia/2014/02/arena-do-gremio-mpc-pede-suspensao-de-repasses-para-obras-no-entorno-4418678.html

A realidade é que Medidas Mitigadoras e Compensatórias são instrumentos usados pelo Planejamento Urbano. A finalidade é que os grandes empreendimentos arquem com seu impacto, tornando mais democrático o uso do espaço das cidades. Só que o que estamos vendo é esta conta sobrar para as Prefeituras, pro Estado... e daí como fica a tal democracia?
Para os leigos, seguem alguns esclarecimentos do IBAMA:

Medida Mitigadora Preventiva
Consiste em uma medida que tem como objetivo minimizar ou eliminar eventos adversos que se apresentam com potencial para causar prejuízos aos itens ambientais destacados nos meios físico, biótico e antrópico. Este tipo de medida procura anteceder a ocorrência do impacto negativo.

Medida Mitigadora Corretiva.
.Consiste em uma medida que visa restabelecer a situação anterior a ocorrência de um evento adverso sobre o item ambiental destacado nos meios físico, biótico e antrópico, através de ações de controle ou da eliminação/controle do fato gerador do impacto. 

Medida Mitigadora Compensatória
Consiste em uma medida que visa repor bens socio-ambientais perdido em decorrência de ações diretas e indiretas de empreendimentos.

Medida Potencializadora
Consiste em uma medida que visa otimizar ou maximizar o efeito de um impacto positivo decorrente direta ou indiretamente da implantação do empreendimento. 

A grande verdade em relação ao processo da OAS é que do acordado, do assinado, a partir do Estudo Ambiental e das medidas compensatórias nele definidas, pouco se cumpriu. Muitos pedidos foram feitos de representantes comunitários no sentido de averiguar o que teria ocorrido, e de concreto nada foi apresentado. É extremamente nebulosa a situação de que, em 2009, havia 160 milhões em contra-partidas que em 2012 ficaram para o município executar. Mas por que? Ainda que esteja legal em todos os seus procedimento, por que esconder a verdade? É inaceitável que com a vigência de uma Lei chamada "da Transparência", os governos continuem a agir de forma tão nebulosa...

Resumo de caso, Internacional e Grêmio fazem pouco caso do Planejamento Urbano. Neste GRENAL, não há vencedores entre os torcedores, há mais uma vez os princípios democráticos sendo distorcidos e nós chegando a conclusão que igualdade perante Lei, só no papel mesmo...

E a gremista que escreve,s egue decepcionada, por que realidade, não vejo meu time lucrando não... (afinal, não eram as obrigações da OAS?). E também acho que em breve os colorados, também chegarão a conclusão que o negócio bom mesmo, não foi pro Internacional...

Eliana Hertzog Castilhos
Arquiteta e Urbanista

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

NRG. Imagens com pós-produção.

Seguem imagens do projeto. São estudos de ocupação do solo. 




Eliana Hertzog Castilhos
arquiteta e urbanista

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Projeto NRG. Concepção. Estudos de Perspectivas.

Para quem nos acompanha, sabe que somos apaixonados por urbanismo. Isto resultou num projeto ousado e inovador que estamos desenvolvendo e cujo desenvolvimento queremos dividir neste espaço.
São idéias iniciais de ocupação e uso do solo, da fase 1.








Eliana Hertzog Castilhos
Arquiteta e urbanista

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

CMDUA pra que??

As novidades não param a surgir do empreendimento do Inter, agora é a vez do Shopping a Céu aberto, tipo open mal (hein??)
Segundo  reportagem da Zero Hora (http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/esportes/inter/noticia/2013/08/com-foco-em-servico-e-alimentacao-street-mall-do-beira-rio-deve-ser-aberto-em-outubro-de-2014-4247207.html):


O projeto comercial foi apresentado à imprensa gaúcha na manhã desta segunda-feira, em Porto Alegre. Para criar a identidade e administrar o novo shopping, a Brio firmou parceria com outros dois grupos com experiência no mercado local: Phorbis e Tornak. As 44 lojas serão divididas em módulos entre 65m² e 650m² (que poderão ter mezanino). O plano é trazer à cidade um novo conceito, atingindo principalmente o público do bairro Menino Deus, com um mix que poderá ter lotéricas, agências bancárias, bares, restaurantes ou cafeterias. A aposta é na facilidade de estacionamento (no novo edifício-garagem e em ruas internas do complexo), e na proximidade com a Avenida Padre Cacique. O espaço entre as vitrinas e a base da cobertura é de oito metros, e a Brio não descarta a possibilidade de que, em dias de jogos, espaços de alimentação possam colocar mesas nessa área.

Não sei de onde saem estas coisas... pra que aprovar projeto de Shopping se o Inter vai lá e faz sem ninguém saber, nem CMDUA, nem RP's, nem mesmo a prefeitura (afinal segundo a EPTC, tem que ver se não vai aumentar o número de atropelamentos...). E a considerar que tem que inserir aí nesta ainda um Centro de Eventos (3x maior que a FIERGS), um hotel, centro médico, realmente pergunto aqui "Quantos metros quadrados a mais o Sport Club Internacional ainda vai precisar??"
Por fim, pergunto, alguém aprovou o mall do internacional? por que eu, como delegada, nunca vi este projeto de Shopping...
E ainda terão mesinhas na calçada para deixar mais fácil a circulação dos pedestres que não mais calçada terão! que bonito, em dia do jogo do Inter, ninguém circula...


Eliana Hertzog Castilhos
arquiteta e urbanista

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Beira Rio, a privativação do espaço público feita sob o pretexto da Copa do Mundo.

Certos momentos da vida, nos perguntamos se realmente vale a pena ser honesta num país feito o Brasil, onde a malandragem rola solta, e nada acontece. Onde os recursos são usurpados das áreas mais carentes, desobrigando grandes corporações que teriam recursos de cumprir suas obrigações mais básicas, mais legais, e que todos cumprimos... como por exemplo em relação ao espaço público.
Há três anos atrás participei como delegada das reuniões da RP1, em que avaliamos o projeto "gigante para sempre". Naquele momento alertei, e agora fico feliz de tê-lo feito com uma postagem, alertei sobre o fato de que o projeto não considerava algo básico, o espaço que tinham para fazer o projeto. Critiquei isto sr. vice presidente de patrimônio do Inter e aos colegas arquitetos da Hype Studio (na época nem havia o Santini e Rocha)..."o que vcs querem colocar neste terreno simplesmente não cabe!! Os impactos serão imensos... não sabemos se dá para consertar o trânsito, com tantos Mega Empreendimento...
As respostas que ouvi foram... vai balançar pouco... não terá tanto impacto...
propusemos fazer o uso do espaço aéreo via outorga onerosa... afinal se o Colégio Rosário paga, o Praia de Belas paga, se o Zaffari/Bourbon paga, por que não o Inter... de resposta, ouvi que isto inviabilizaria a execução do projeto (??!!?? como é que é?? pensei eu...).
Bem, hoje afirmo que se o metro quadrado aéreo tivesse tido preço, talvez não tivesse fugido tanto ao controle.
Registro abaixo o que era previsto no projeto (balançar sobre a via), a foto que tirei durante as obras da fundações, quando eu (e mais uma galera já tinhamos percebido que "São Paulo não cabe em Porto Alegre" e aproveito para postar o print da reportagem da Zero Hora de hoje, que mostra claramente e afirma, que esta na calçada, e sobre a via de veículos... e pior, que o canteiro central foi reduzido...
Mas "peraí", não era só o balanço sobre a calçada???
Segue as fotos para mostrar todo o processo, desde seu iniciozinho...



Mentira, irresponsabilidade? nada disso agora importa... o que importa é QUEM PAGOU A CONTA? Eu sei, e você sabe??
Segue links dos posts relacionados:

E da matéria da Zero Hora:

Que todos tirem suas próprias conclusões...

Eliana Hertzog Castilhos
Arquiteta e urbanista

terça-feira, 10 de julho de 2012

Camara e PMPA aumentam taxas para aprovações de forma no mínimo abusiva.

Acabo de voltar da SPM (Secretaria Municipal de Planejamento) e levei um choque. As taxas subiram porcentagens dignas de serviços de primeiro mundo. Para quem não sabe, em 08/05/2012 a Câmara de Vereadores aprovou e o Prefeito sancionou um verdadeiro absurdo. Na terra onde a irregularidade é quase o padrão e não a exceção, estamos caminhando em direção contrária.
Para se ter uma idéia, até então a taxa de emissão de uma DM eram módicos R$ 29,15. Agora, para terrenos até 300m², subiu quase 500%, para R$ 138,89. No meu caso, nem tive dinheiro para pagar, meu cliente, com um terreno de pouco mais de 450,00m² terá que pagar uma taxa de R$ 194,44, um aumento de quase 700%. E ingenuamente perguntei... ao menos ficará mais rápido, quer dizer... não vai mais levar 90 dias né?! Que nada, a prazo continua o mesmo, me responde com uma sinceridade brutal, a profissional que  estava me respondendo...
O que dizer... é eleição, olimpíadas, escândalo do Demóstenes, tantas notícias que fica difícil descobrir o que acontece e que impacta no nosso dia-a-dia. Pra mim, só dificultou... ou alguém acredita que o povo vai regularizar seu próprio imóvel, em épocas de crise, pagando taxas que do nada aumentam quase 500%? Será que só eu estou escandalizada...
Para quem acha que estou exagerando, lembro apenas que estas taxas não estão divulgadas no site da Prefeitura ou mesmo da Secretaria de Planejamento. nem tem cartaz avisando... Resta receber um micro bilhete informando:

Terrenos com área de até 300,00m² - 50 UFM - R$ 138,89
Terrenos com área de 300 até 1000,00m² - 70 UFM - R$ 194,44
Terrenos com área de 1000 até 3000,00m² - 90 UFM - R$ 250,00
Terrenos com área de 3000 até 22500,00m² - 150 UFM - R$ 416,67
Terrenos com área superior a 22500,00m² - 200 UFM - R$ 555,56

Segue link de lei que alterou as taxas... justificativa que é bom, NADA!

http://www.camarapoa.rs.gov.br/biblioteca/integrais/LC%20693.pdf

Arquiteta e urbanista Eliana Hertzog Castilhos


segunda-feira, 9 de julho de 2012

Decreto 17302/11. Novas regras para as calçadas de Porto Alegre.

Desde setembro de 2011, há um novo Decreto instituindo novas regras para a execução e manutenção das calçadas de Porto Alegre. A principal inovação vem da inclusão dos elementos de acessibilidade, que a partir de agora passam a ser cobrados. Infelizmente, ainda trata-se de uma legislação que não prevê de forma clara padrões mínimos de permeabilidade nas calçadas, deixando esta opção aos proprietários, o que para mim é um retrocesso. Não só isso, não deixa clara algumas questões, como por exemplo, em áreas com declividade acentuadas, como se deve proceder? a previsão dos rebaixos aos cadeirantes fica a cargo de que executar e quando deve ser obrigatório? E o pior, possui indicação técnica errônea. Indica a utilização exclusiva de piso tátil direcional nos rebaixos de meio-fio (1ª imagem) onde a NBR 9050 é clara ao fazer o uso do piso tátil de alerta no rebaixo e direcional na calçada indicando o sentido e a ocorrência do rebaixo (2ª imagem). Um erro inaceitável, numa lei tão recente e que se propõe justamente a promover a inclusão da norma de acessibilidade universal, neste ambiente de cotidiano a todos que são as calçadas.

Imagem extraída do Decreto 17302/11.

Imagem extraída da NBR 9050.


Para finalizar, me pergunto se este decreto que passa a valer a todos, empreendedores e proprietários de imóveis em Porto Alegre, desde de setembro de 2011, se já está sendo implantado pela própria Prefeitura Municipal, em seus próprios, de modo a manter clara a posição de "Eu faço a minha parte, e você?". Ou se a exemplo do que ocorre em relação a tantas outras leis vigentes, o lema será "Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço!".

Arquiteta e urbanista Eliana Hertzog Castilhos

terça-feira, 19 de junho de 2012

Estádio Beira Rio, a disputa de áreas continua... cada dia, com uma fatia a mais!

Cada vez que penso na Orla do Guaíba, penso em como a utilizamos mal. Mas mais que isso, penso que mesmo agora, com tantos projetos, estes estão tal mal embasados que acabam por dar a fama às comunidades. Fama de chatos, de que a tudo são contra, de que são verdeiros "muquiranas" (roubando o termo de um colunista que gosto muito, mas que não concordo tanto assim).
Exemplifico aqui. Há algum tempo atrás, publicamos um post sobre o projeto do Inter. E sobre o fato de que a cobertura se estendia por sobre a calçada, cerca de 70cm à pouco mais de 10m de altura. E que isto era usar o espaço aéreo público, e que portanto o inter deveria pagar. O pessoal da região foi criticado e o Estudo de Viabilidade Urbanístico aprovado. Isso já faz alguns anos (foi em junho de 2010). Segue o link:
http://cubbos-consultoria.blogspot.com.br/2010/06/copa-ate-que-ponto-vale-pena.html
Sabem o resultado? Pois agora tramita novamente, novo EVU do Inter. Para um edifício garagem. E sabem o que ocorreu? A EPTC, com base em estudos, considerou que para resolver o trânsito da Padre Cacique devido a todos os empreendimento, seria preciso alargar a faixa, justamente junto ao estádio...com isso o estádio não balançaria apenas sobre a calçada mas sobre a via! Me pergunto se alguém vai conseguir passar por ali, afinal, se antes balançava à cerca de 10m, será que um caminhão consegue passar?
Segue foto do amigo arquiteto Ibirá Lucas:


Posto também outro link de um post com foto do local, já com a fundação da cobertura executada:
http://cubbos-consultoria.blogspot.com.br/2010/06/copa-ate-que-ponto-vale-pena.html

E me pergunto, cadê o planejamento da cidade. Alguém já simulou como vai ficar isto no local?
Fora isso, o absurdo do referido EVU continua com outros detalhes. O Sport Club Internacional pede para usar mais uma faixa pública, para os carros poderem acessar o estacionamento projetado por eles. Esta faixa fica junto à avenida Beira Rio, com cerca de 6m por 272m (isso dá pelo menos 1632m² de área pública) repleta de mata nativa (não digo imune, mas nativa conforme documentos do próprio Inter). E você acha que no processo tem descrição de alguma contrapartida? Que nada, é a conta da Copa, apenas aumentando, assim como a fama dos "muquiranas"!

Arquiteta e urbanista Eliana Hertzog Castilhos



domingo, 25 de março de 2012

Programa Polêmica da Radio Gaúcha discute a Orla de Porto Alegre.

Programa Polêmica, Lauro Quadros, de segunda-feira, 26/03, 9h30.


Pergunta:

Para o projeto da Orla do Guaíba, a Prefeitura contratou Jaime Lerner, por notório saber. O Instituto dos Arquitetos do Brasil quer concurso público. Quem tem razão:

a Prefeitura - 8401-0386 (Opção 1)

ou o IAB - 8401-0386 (Opção 2)

Convidados:

- Presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil no Rio Grande do Sul, TIAGO HOLZMANN DA SILVA

- Delegado da Região de Planejamento 1 (RP1) do Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano e Ambiental, SYLVIO NOGUEIRA

- Secretario Extraordinário da Copa de 2014 - SECOPA, JOÃO BOSCO VAZ;

- Procurador-geral adjunto da Procuradoria Geral do Município, MARCELO DO CANTO.

Esperamos que todos possam escutar e participar da discussão.

Aproveito apenas para destacar um porém e fazer uma provocação. Por que quem vai por parte da prefeitura é o Secretário Extraordinário da Copa de 2014? A orla é um projeto e uma obra que deve ser para a cidade e não para a Copa. Cadê a SMAM que é a contratante?

Arquiteta e urbanista Eliana Hertzog Castilhos

quinta-feira, 22 de março de 2012

Hoje é o Dia Mundial da Água, um dia para refletir.

Hoje se comemora o Dia Mundial da Águas. Vale a pena repensar as condutas de cada dia, os últimos acontecimentos na nossa cidade para nos reeducarmos e respeitarmos o meio ambiente. Na semana passada, dia 14 de março, Porto Alegre passou por um verdadeiro Dilúvio. A chuva intensa aliada à falta de educação e lixo nas ruas fez com que a cidade parasse e (espero eu) repensasse suas atitudes. Vi e ouvi muitas coisas boas e ruins. Vi o Diretor do DEP, sr. Ernesto Teixeira esclarecendo a todos que os projetos de drenagem são feitos com o estudo de recorrência de chuvas de 100 anos. Ao passar pela avenida Goethe, vi que a área que há alguns anos vivia inundada em eventos similares estava perfeitamente transitável, nunca comprovação de funcionamento do aguardado Conduto Álvaro Chaves. Mas também repensei outras situações, que vivenciamos. A dos grandes projetos privados cuja exigência de estudo por parte do próprio DEP é da recorrência de cheias de APENAS 10 anos!  Como entender uma discrepância tão grande de 10 para 100 anos? Incluo aqui o projeto da Orla, que afirma que as chuvas de 10 anos não irão impactar no projeto e só e não avaliam nada mais. Lembrando que na enchente de 1941, o nível do Guaíba chegou à 4,75m.

Na busca de entender um pouco mais sobre o assunto, e divulgar o que me informaram, posto aqui as informações que obtive com o DEP em relação a chuvarada do dia 14. E desde já agradeço a colaboração da Engenheira Daniela Bemfica e da sra. Lisane Tais Longhi, chefe de Gabinete, ambas do DEP - Departamento de Esgotos Pluviais do Município de Porto Alegre.

Expliquei a ambas que o que eu queria era tentar fazer uma relação com o que choveu no dia 14 e a variação provocada na Orla do Guaíba. A eng.ª Daniela me informou que a contribuição de uma chuva excluvivamente em Porto Alegre pouco afetaria o Guaíba. Isto por que o Guaíba está inserido em uma bacia de contribuição de pouco mais de 85mil km², e que Porto Alegre contribui com pouco mais de 500km². Mas o que isto exatamente quer dizer? Que chover em Porto Alegre não quer dizer muita coisa. Que os alagamentos provocados pelo Guaíba são relacionados à chuvas mais constantes e em maiores áras e cujo acúmulo faz elevar o seu nível. Apesar da lógica, e do fato de consultar outras infromações e ver que realmente a infromação dada estava absolutamente correta, ainda assim pedi os dados das medições do Guaíba. isto por que entender extamante o que se passa na nossa cidade é fundamental ainda mais para alguém da área do urbanismo.

Seguem os dados da Estação Guaíba, régua do Harmonia, da SPH:

Data                                  Horário de Medição
                          7:30                   12:30                17:30
12/03/12          0,49m                 0,48m               0,50m
13/03/12          0,45m                 0,54m               0,84m
14/03/12          0,58m                 0,73m               0,70m
15/03/12          0,86m                 0,82m               0,87m              
16/03/12          0,72m                 0,69m               0,76m

Pela tabelinha, dá para ver que não há muita relação com o dia da chuvarada. Ainda me foi passado os dados de madição do DEP, que comparei com os do SPH (praticamente nada de variação):

Data                                   Horário de Medição
                          7:30                   12:30                 17:30
12/03/12           0,46m                0,49m                0,53m
13/03/12           0,43m                0,54m                0,81m
14/03/12           0,59m                0,71m                0,68m
15/03/12           0,84m                0,81m                0,85m
16/03/12           0,67m                0,67m                0,75m

Acho bastante válido divulgar esta informação pois é importante para nós que moramos por qui entender o que pode ou não gerar alagamentos e problemas que possam nos atingir. Na verdade o que se pode concluir é que embora a chuva tenha sido grande, não foi nem de perto a maior. Ou seja, a situação foi muito mais grave devido ao lixo das ruas, que impediu o correto funcionamento dos sistemas de drenagem.

Seguem algumas fotos do dia 14 na hora da chuvarada. Olhem o lixo boiando no Dilúvio:






E uma foto do arroio dilúvio, já próximo do meio-dia, já com nível bem mais baixo:



Vale a pena repensar atitudes e lembrar que todo o lixo jogado nas ruas não só entope bueiros e outros sistemas de drenagem como também contamina solo e corpos d'água. E que a natureza como um todo é um bem de todos e que deve ser preservado.

Arquiteta e urbanista Eliana Hertzog Castilhos

quarta-feira, 21 de março de 2012

Evento para comemorar Aniversário do IAB-RS discute as cidades.

O Instituto de Arquitetos do Brasil do Rio Grande do Sul comemora hoje seus 64 anos discutindo as cidades. O evento, I Ciclo de Desafios Urbanos, tem como tema "Cidade e Cultura". Não poderia ter vindo em melhor momento pois os arquitetos começam a se apropriar do tema das cidades novamente e a população começa a ser esclarecida sobre os assuntos urbanos e a importância dos profissionais da área. Por tudo isso, consideramos essencial divulga o evento no blog da Cubbos.
O evento contará com a presença de professor de literatura da UFRGS, Luis Augusto Fisher e o Pesquisador de estudos de história e do desenvolvimento das cidades, Irã Dudeque.
Hoje, às 19:00 hrs.

Arquiteta e urbanista Eliana Hertzog Castilhos


EVU do Projeto da Orla é aprovado no CMDUA.

Fonte: Google Maps

Na noite de ontem, o CMDUA - Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano e Ambiental aprovou o processo de EVU da Orla de Porto Alegre, de autoria do escritório Jaime Lerner Arquitetos Associados. A região de Gestão de Planejamento 1, juntamente com a Região 6, e o IAB votaram contra a aprovação do projeto. A UFRGS, o ABES e o Instituto Urbano e Ambiental se abstiveram. O relator do Sinduscon, votou pela aprovação - e alegou que zoneamento não é parte de EVU (acho que então nós não sabemos mais o que é EVU). O Governo efetivamente pressionou para a aprovação e conseguiu mas a Região 1 já considera que conseguir anexar as suas solicitações junto ao processo já foi uma vitória.
Segue documento que foi anexado. Esperamos que ao menos o escritório considere estas ponderações de cunho técnico, para efetivamente propor uma Orla para Todos.





Agradecemos a todos que de alguma forma contribuíram com o processo, que foram às reuniões e que deram sugestões acreditando no processo democrático.

Arquiteta e urbanista Eliana Hertzog Castilhos